Guia eletrônica de movimentação de contêineres: como a informatização contribui para o transporte de cargas



A adoção da e-GMC-I promete agilizar o fluxo de entregas das cargas pelo operador portuário


Agilizar o processo de movimentação de cargas é uma pauta constantemente debatida entre autoridades e profissionais do setor. Isso porque são diversas as perdas em eficiência e custos desnecessários gerados a partir da lentidão do processo.

E não é só isso! Estamos na Era da Transformação Digital, momento em que tudo aponta para um desenvolvimento sustentável utilizando-se dos recursos que a tecnologia dispõe. Aliás, vale ressaltar que, esta é outra pauta também amplamente discutida e que sempre leva a uma mesma conclusão: informatizar é preciso.


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E é neste contexto que surgem pequenas mudanças que contribuem para o processo logístico mais eficiente, como é o caso da Guia Eletrônica de Movimentação de Contêineres - Importação (E-GMC-I), de que trataremos neste artigo. Se você quer saber mais sobre ela e quais as vantagens deste documento eletrônico, é só continuar a ler este post.


O que é a Guia Eletrônica de Movimentação de Contêineres


Para contextualizar o assunto, em 27 de fevereiro deste ano, a portaria ALF/TS, Nº 71, anunciou que a Guia de Movimentação de Contêineres - Importação (GMC-I) passaria a ser substituída  por uma versão eletrônica equivalente, com as mesmas informações. É a Guia Eletrônica de Movimentação de Contêineres - Importação (e-GMC-I).

Ou seja, a partir da publicação da norma, transportadores e operadores portuários precisam criar mecanismos para conduzir a troca eletrônica de documentos, processo antes feito em papel.

Esta portaria ressaltou que o objetivo é garantir maior agilidade ao fluxo de entregas das cargas, uma vez que a comunicação digital não tem as limitações da comunicação física. Ainda de acordo com o documento, a adoção do sistema é opcional ao recinto alfandegado destinatário e poderá vigorar desde que o operador portuário responsável pela descarga possua a infraestrutura necessária.

Sendo assim, com a adoção da e-GMC-I, o sistema funciona da seguinte maneira:

No portão de saída, o operador portuário deverá emitir um extrato da e-GMC-I, contendo todas as informações referentes à carga e seu transporte. Este extrato conterá um QR-Code que permitirá a verificação da autenticidade do documento mediante a leitura em um aplicativo (para android e iOS).

Em seguida, a saída da carga deverá ser registrada no Sistema de Declaração de Transferência Eletrônica (DT-E)  e comunicada ao recinto destinatário, para que ambos possam realizar o acompanhamento e gerenciamento de risco durante o percurso.

Vale ressaltar que, a responsabilidade da entrega da carga ao representante do recinto depositário é do operador portuário. Sendo assim, este deverá adotar todas as cautelas necessárias, entre elas o agendamento e a identificação biométrica.

Segundo a portaria, ainda permanecem válidos os demais requisitos para as solicitações de transferência de cargas processadas pelo Sistema DT-E, fixados na Comunicação de Serviço ALF/STS nº 29/1996 e as alterações posteriores.

Em resumo, a E-GMC-I se trata da substituição do documento, antes impresso em papel, por uma versão eletrônica, que contribui para um processo mais rápido e eficiente.


Por que aderir à guia eletrônica?


Aderir a soluções tecnológicas como essa, garante eficiência nas operações, mas passa também pela redução dos custos logísticos, visto que a substituição processos lentos e ineficientes, pela adoção da tecnologia, reduz a incidência de erros, retrabalho e, consequentemente de custos.

Para se ter uma dimensão do desafio, entre burocracias e leis ultrapassadas, os contêineres que chegam ao Brasil ficam cerca de 10 dias parados nos portos, gerando perdas de R$ 57 milhões por ano em atrasos no transporte e pagamentos de custos desnecessários.

Os números foram apontados no relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2016, que revelou também que, entre os problemas, estão os sistemas da Receita Federal, considerados de baixa eficiência. Neles, os registros para a liberação do contêiner que chega do navio e segue para terminais fora do cais são feitos em papel. Desse modo, o caminhão demora quatro horas e meia para sair com a carga.


Leia também: Como suprimir burocracias do setor portuário


Mas, quando se trata de Santos, o maior porto da América Latina, o processo é ainda mais lento, já que o relatório do Tribunal de  Contas da União (TCU) de 2018 apontou que, no cais santista, um contêiner desembarcado leva em média 15 dias para ser liberado.

Sendo assim, a aplicação da e-GMC-I, embora não resolva todo o problema,  contribui para a diminuição do tempo de liberação da carga, uma vez que  permite o processo logístico mais seguro, rápido e ágil, pois facilita o trabalho dos envolvidos, melhora a comunicação entre as partes e permite a troca de informações em tempo real.

Por meio da guia eletrônica é possível também fazer um monitoramento para que qualquer ação que ocorra fora do planejado seja notificada para a tomada rápida de decisões e resolução dos problemas. Este sistema permite ainda, um fluxo contínuo de atividades, comunicação padronizada e reduz seu tempo de operação, uma vez que a cadeia passa a ser operada de maneira linear.


Leia também: Aplicações mobile para a logística portuária pra quê?


Como você viu, existem diversos benefícios em informatizar não só processo de movimentação de cargas, mas outras operações logísticas. A sua empresa já conta com soluções informatizadas? Clique aqui e nos conte quais seus principais desafios tecnológicos.

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