A Disputa dos Gigantes Portuários em 2025
O ano de 2025 marcou um novo capítulo na acirrada competição entre os maiores complexos portuários do Brasil, com o Porto de Santos e os Portos do Paraná registrando recordes históricos que redefinem o cenário logístico nacional. De um lado, Santos consolidou sua posição como o maior porto da América Latina em volume absoluto, movimentando 186,4 milhões de toneladas. Do outro, os portos paranaenses, liderados por Paranaguá, surpreenderam o mercado com o maior crescimento percentual do país, um avanço de 10,1%. Essa disputa evidencia duas estratégias distintas na corrida para dominar o escoamento do agronegócio brasileiro.
Santos: A Força do Volume e da Diversidade
A Autoridade Portuária de Santos (APS) celebrou em 2025 um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior, um feito notável para um complexo de sua magnitude. O recorde foi impulsionado principalmente pelos granéis sólidos, que alcançaram 94,5 milhões de toneladas, com destaque para o complexo da soja (+18,9%) e a celulose (+21,5%). O porto também superou 5,9 milhões de TEUs em carga conteinerizada, reforçando sua infraestrutura robusta e sua importância estratégica, sendo responsável por 29,6% de todo o comércio exterior brasileiro.
Paranaguá: Crescimento Exponencial e Gestão Inovadora
Enquanto Santos se destaca pelo volume, Paranaguá impressiona pela velocidade de seu crescimento. Atingindo 73,5 milhões de toneladas em 2025, a Portos do Paraná superou em uma década a previsão de movimentação que, segundo estudos do Ministério de Portos e Aeroportos, só seria alcançada em 2035. Segundo o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, esse resultado é fruto de um planejamento de gestão inovador e investimentos assertivos que refletem em toda a cadeia econômica do estado.
A Especialização como Vantagem Competitiva
A estratégia paranaense se mostra altamente especializada em nichos chave do agronegócio. Em 2025, a exportação de milho cresceu impressionantes 375%, enquanto os óleos vegetais tiveram alta de 32%, mantendo Paranaguá como líder nacional nesse segmento. Além disso, o porto se consolidou como a principal porta de entrada de fertilizantes do Brasil, recebendo mais de 25% do consumo nacional, e manteve sua liderança como o maior corredor de exportação de carne de frango do planeta.
Investimentos Estruturais que Transformam a Operação
O crescimento de Paranaguá não é acidental, mas sim o resultado de investimentos maciços em infraestrutura. A conclusão da derrocagem da Pedra da Palangana no final de 2024 e as constantes dragagens permitiram o aumento do calado operacional para 13,3 metros. Essa melhoria possibilita que cada navio embarque até 3,7 mil toneladas a mais de carga, otimizando custos e aumentando a eficiência. Ações como essa demonstram um foco claro em remover gargalos logísticos.
O Futuro Promissor dos Portos Paranaenses
Olhando para o futuro, a Portos do Paraná planeja ampliar ainda mais sua capacidade. Com R$ 5,1 bilhões em investimentos garantidos através de leilões desde 2019, projetos como o Moegão, um complexo de R$ 650 milhões para recepção ferroviária, e a construção de novos píeres (Píer em “T” e Píer em “F”), orçados em mais de R$ 2,2 bilhões, prometem revolucionar a capacidade de exportação. “Esses resultados são o reflexo da ação conjunta do Governo do Estado, da Autoridade Portuária, dos trabalhadores e das empresas que operam aqui”, afirmou Garcia.
A Batalha de Estratégias no Cenário Nacional
A competição se desenha claramente: Santos aposta na sua escala monumental e na diversidade de cargas para manter a liderança, enquanto Paranaguá foca em crescimento acelerado, especialização em produtos de alto valor agregado do agronegócio e investimentos estratégicos para ganhar eficiência. Um exemplo disso é o investimento de R$ 6,3 milhões da TCP, administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, que aumentou em 114% sua área de armazenagem para suportar a crescente demanda.
Conclusão: Uma Competição que Beneficia o Brasil
A disputa entre Santos e Paranaguá pela hegemonia no agronegócio é, em última análise, benéfica para o Brasil. De um lado, a força e a tradição de Santos garantem um escoamento robusto e diversificado. Do outro, a agilidade e a visão de futuro de Paranaguá impulsionam a inovação e a eficiência em toda a cadeia logística. Essa rivalidade saudável força ambos os complexos a se modernizarem continuamente, resultando em maior competitividade para o produto brasileiro no mercado global.