O Porto de Santos encerrou 2025 com um desempenho histórico, movimentando um recorde de 186,4 milhões de toneladas, um crescimento de 3,6% sobre o ano anterior. Este marco, anunciado pela Autoridade Portuária de Santos (APS), consolida a posição do porto como pilar do comércio exterior brasileiro. No entanto, por trás dos números expressivos, emergem desafios significativos na infraestrutura humana e regulatória, que são pressionadas a acompanhar o ritmo acelerado das operações.

Um Crescimento Puxado por Contêineres e Grãos

O resultado de 2025 foi impulsionado principalmente pela carga geral conteinerizada, que superou 5,9 milhões de TEU (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), uma alta de 7,7% em relação a 2024. Segundo Anderson Pomini, presidente da APS, o desempenho reflete a eficiência operacional e a resiliência do complexo. Os granéis sólidos também tiveram um papel crucial, somando 94,5 milhões de toneladas, com destaque para o complexo soja (+18,9%) e a celulose (+21,5%).

As exportações foram o carro-chefe, totalizando 137,4 milhões de toneladas, um aumento de 4,6%. Com este volume, o Porto de Santos ampliou sua participação na corrente comercial brasileira para 29,6%. Os números confirmam a capacidade do porto de atender à demanda crescente, mas também acendem um alerta sobre a necessidade de escalar os recursos que sustentam essa operação.

A Pressão sobre a Mão de Obra

Um dos reflexos diretos do aumento da demanda é a necessidade de mais trabalhadores portuários. Em resposta a esse cenário, o Órgão de Gestão da Mão de Obra (Ogmo/Santos) diplomou, em janeiro de 2026, 47 novos trabalhadores portuários avulsos para a categoria Estiva. A iniciativa, segundo o diretor executivo do Ogmo/Santos, Evandro Schmidt Pause, é consequência direta da convenção coletiva assinada para atender ao aumento previsto nas operações.

Essa nova turma se junta a outros 276 trabalhadores que foram incorporados em junho de 2025, evidenciando um esforço contínuo para expandir o contingente de mão de obra qualificada. A formação e integração desses profissionais são cruciais para garantir que a eficiência operacional vista nos terminais não seja comprometida pela falta de pessoal capacitado para lidar com o fluxo intenso de cargas.

O Aumento das Disputas Regulatórias

Paralelamente ao desafio humano, o crescimento recorde intensifica as fricções comerciais, especialmente em relação à sobre-estadia de contêineres. O maior volume de movimentação aumenta a complexidade logística e, consequentemente, o potencial para disputas entre usuários, armadores e agentes marítimos. Neste campo, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) tem desempenhado um papel fundamental.

Entre agosto e dezembro de 2025, a Antaq estima ter evitado a cobrança indevida de aproximadamente R$ 23 milhões em taxas de sobre-estadia. Isso foi alcançado através de 240 audiências de conciliação, das quais 176 resultaram em acordo, um índice de sucesso de 73,3%. Essa mediação, baseada na Resolução nº 62/2021, mostra como o aparato regulatório está sendo exigido para garantir o equilíbrio e a justiça nas relações comerciais que sustentam a operação portuária.

Conclusão: O Equilíbrio Necessário para a Expansão

O sucesso do Porto de Santos em 2025 é inegável, mas ele lança luz sobre a interdependência entre infraestrutura física, capital humano e arcabouço regulatório. O volume recorde não é apenas um número a ser comemorado; é um indicador da pressão crescente sobre cada elo da cadeia logística. Para que o crescimento seja sustentável, é imperativo que os investimentos em tecnologia e automação sejam acompanhados por políticas robustas de formação de mão de obra e por mecanismos de resolução de conflitos ágeis e eficazes. O futuro do porto dependerá de sua capacidade de equilibrar esses três pilares para continuar a quebrar recordes sem gerar gargalos operacionais e comerciais.