A JBS Terminais registrou uma expansão de 330% em sua capacidade operacional no Porto de Itajaí desde outubro de 2024, movimentando mais de 560 mil TEUs. O crescimento, consolidado no primeiro trimestre de 2026 com uma alta de 60% ante o ano anterior, responde diretamente a um aporte estratégico de R$ 220 milhões direcionado à infraestrutura de ponta e à profunda digitalização dos processos logísticos, provando que o investimento em inteligência de dados determina o novo patamar de competitividade portuária nacional.

Investimento pesado e infraestrutura conectada

A injeção de capital viabilizou a aquisição de guindastes móveis de última geração, a estruturação de gates reversíveis e a instalação massiva de tomadas para contêineres refrigerados. Esta reengenharia focou na agilidade do escoamento de carnes e cargas perecíveis, um segmento rigoroso que não tolera gargalos térmicos e exige previsibilidade temporal exata na transição entre o pátio e o porão do navio.

Entretanto, o maquinário pesado esbarra em seu limite de produtividade sem um ecossistema digital capaz de orquestrar a operação simultânea. A consolidação do recorde em Santa Catarina demandou a implementação de uma cultura baseada em dados, conectando os ativos físicos com a gestão inteligente de pátio para mitigar o tempo ocioso dos equipamentos e acelerar a liberação aduaneira.

A arquitetura digital do recorde

Neste cenário estrutural, a modernização sistêmica foi capitaneada pela T2S, empresa que desenvolveu o portal de serviços do terminal e assumiu a implantação integral do TOS (Terminal Operating System) Navis N4, operado pela americana Kaleris. A parceria de longa data e a certificação com a desenvolvedora do software garantiram a estabilidade arquitetônica exigida para tracionar o volume diário de movimentação sem oscilações sistêmicas.

A transição para a nova plataforma demandou alta precisão tática e governança corporativa. Rodrigo Salgado, diretor da T2S, detalha a complexidade do projeto. "É um enorme prazer acompanhar o crescimento da JBS Terminais. Eles superaram um grande desafio na implantação do terminal, com um GoLive (entrada de operação) recorde. Todo o time de TI e operações trabalharam juntos num esforço excepcional. A liderança executiva também esteve presente diariamente neste processo e seu papel foi fundamental. O resultado só podia ser esse! Estão de parabéns!", afirma o executivo.

Horizonte promissor para a logística nacional

O resultado da JBS Terminais em Itajaí cristaliza a dependência mútua entre capital intensivo em ativos operacionais e integração de softwares avançados. O registro de 12% de alta média mensal prova numericamente que a adoção de sistemas operacionais maduros, como o Navis N4, reduz o custo logístico unitário e entrega confiabilidade para as rotas marítimas globais.

Observando a trajetória do comércio exterior brasileiro, entregas dessa envergadura evidenciam nossa resiliência e maturidade técnica. Embora a logística nacional enfrente historicamente gargalos de infraestrutura e custos operacionais elevados, os portos do país mantêm uma marcha contínua de evolução. O avanço da digitalização nos terminais mostra que, apesar dos antigos obstáculos burocráticos, o setor privado segue modernizando suas bases, expandindo operações e projetando o país com força e tecnologia no tabuleiro logístico global.