A SCPAR Porto de Imbituba e a Superintendência Regional da Polícia Federal em Santa Catarina assinaram em 23 de abril de 2026 um acordo de cinco anos para integrar drones e veículos subaquáticos à segurança marítima. A medida ocorre exatamente no momento em que a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) registra um salto de 19,06% na cabotagem da região Sudeste apenas no primeiro bimestre, alcançando 27,1 milhões de toneladas movimentadas. O cruzamento desses dois fatos mostra a urgência de alinhar volume logístico com segurança digital rígida nas rotas costeiras.

O peso das cargas e o risco operacional

Os números compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos detalham a pressão sobre a infraestrutura física e sistêmica. O Rio de Janeiro lidera a movimentação com 15,8 milhões de toneladas, seguido por São Paulo com 9,9 milhões e o Espírito Santo com 1,38 milhão. O transporte de petróleo bruto responde por 21,2 milhões desse total, e a carga conteinerizada bate a marca de 2,21 milhões de toneladas. O ministro Tomé Franca avalia a cabotagem como garantidora de escala e eficiência no transporte de itens de abastecimento, um avanço impulsionado pelas diretrizes do programa BR do Mar.

O aumento contínuo de fluxo nas águas brasileiras atrai, inevitavelmente, a atenção das redes de tráfico internacional. Terminais que operam próximos à sua capacidade máxima precisam automatizar o controle de acesso e o rastreamento de contêineres para evitar invasões. A corrida tecnológica é a única ferramenta viável para que a modernização não se torne uma brecha para o crime organizado. Desenvolvedoras de inteligência logística, como a T2S, criam arquiteturas de software que integram dados de balanças, scanners e portões lógicos, entregando aos operadores uma auditoria exata sobre mercadorias e motoristas que trafegam nas zonas alfandegadas.

Arsenal tecnológico em águas catarinenses

Para isolar a vulnerabilidade física nos atracadouros, a parceria firmada em Imbituba arma o Núcleo Especial de Polícia Marítima (NEPOM) com hardwares dedicados. A administração portuária fornecerá à corporação drones aéreos de alta resolução e um drone subaquático operado remotamente (ROV) para varreduras nos cascos dos navios, além de embarcações e suporte logístico. Christiano Lopes, diretor-presidente da SCPAR, define o novo formato de operação como um passo decisivo para transformar a zona portuária em um ambiente seguro.

A Polícia Federal assume o policiamento ostensivo e as fiscalizações de rotina, mirando diretamente o contrabando de armas e drogas, o descaminho e os crimes ambientais. O uso de ROVs altera completamente a dinâmica da inspeção preventiva. Mergulhadores levam horas para inspecionar compartimentos submersos sob baixa visibilidade; o robô transmite imagens ao vivo em minutos e agiliza a liberação ou retenção da embarcação sem estourar a janela de atracação. O uso dessa instrumentação avançada moderniza o combate ao tráfico e asfixia a logística das facções criminosas com precisão cirúrgica.

A equação de custo e inteligência

A captura massiva de imagens pelos drones exige processamento imediato para resultar em prisões ou apreensões. Softwares de gestão analisam esses padrões de varredura e cruzam as constatações com o manifesto eletrônico da carga em tempo real. O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, ressalta que as políticas públicas atuais reduzem os custos logísticos no Brasil. A digitalização da segurança opera exatamente nessa métrica de contenção de despesas, pois reter um navio por suspeita custa milhares de dólares diários em taxas de estadia, e a inspeção eletrônica elimina esse passivo financeiro.

Movimentar 27 milhões de toneladas em sessenta dias força os terminais a substituírem as velhas pranchetas de controle por algorítmos de liberação automática. O pacto tecnológico em Santa Catarina e os recordes de volume aferidos pela Antaq no Sudeste atestam o fim da fase do improviso logístico. As empresas de navegação cobram eficiência, e as autoridades aduaneiras exigem garantias absolutas sobre a origem e o destino dos lacres.

O Brasil sofre com um histórico antigo de falhas de fiscalização, o que gerou vazamentos bilionários de cargas, sonegação e contaminação de contêineres nas últimas décadas. Assistir à Polícia Federal mapear navios com robôs submarinos e desenvolvedoras nacionais fornecerem códigos complexos de gestão de pátios comprova que o setor privado e o Estado aprendem com os erros do passado. Os gargalos viários fora dos portos ainda exigem obras complexas, mas o ganho de volume na cabotagem aliado ao cerco digital prova que a infraestrutura nacional cresce, blinda seu comércio exterior e ganha a confiabilidade exigida pelo mercado asiático e europeu.