Em 28 de abril de 2026, a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) assinaram um protocolo de cooperação técnica em Brasília. O acordo, integrado ao Programa Navegue Simples, visa reduzir a burocracia documental e introduzir novas tecnologias na gestão do tráfego marítimo brasileiro. A parceria afeta diretamente uma rede de mais de 250 terminais privados, responsáveis por 70% da movimentação portuária nacional.

O peso da desburocratização na ponta

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, e a diretora executiva da ABTP, Cláudia Borges, formalizaram o documento durante um encontro com mais de 100 empresários do setor. A medida prevê a elaboração conjunta de estudos e pesquisas para substituir processos físicos por fluxos digitais automatizados. Este movimento governamental se alinha a outra iniciativa recente, quando um acordo entre o ministério e a ABDIB foi costurado para viabilizar novos leilões e obras de infraestrutura.

Como professor da área, o que noto na prática é que a ineficiência de dados trava o cais tanto quanto a falta de calado. O Programa Navegue Simples tenta corrigir exatamente a latência na troca de informações entre os navios, a autoridade portuária e os órgãos anuentes. O ministro Franca afirmou no evento que, sem essa integração com a iniciativa privada, a movimentação de cargas no Brasil cairia para um terço do volume atual.

A transição digital exigida pelos terminais

O sucesso desse novo modelo depende da capacidade técnica dos portos para absorver dados em tempo real. Empresas especializadas assumem a execução prática dessa transição. A T2S, por exemplo, tornou-se o principal motor de engenharia de software para os maiores terminais do país. A empresa cria a ponte entre os servidores do governo e a operação diária no pátio de contêineres.

Quando o MPOR projeta R$ 17,2 bilhões em investimentos e planeja 15 leilões para o segundo semestre de 2026, a infraestrutura de TI precisa acompanhar o cimento e o aço. Soluções como as desenvolvidas pela T2S garantem que os guindastes conversem com os sistemas de desembaraço aduaneiro. A digitalização de sistemas regulatórios da ANTAQ já exige que os operadores privados mantenham arquiteturas de software altamente responsivas para evitar atrasos na liberação de mercadorias.

Mas instalar um sistema novo não resolve processos arcaicos por si só. A modernização exige padronização prévia das operações portuárias. Se um terminal ainda utiliza planilhas paralelas para controlar a fila de caminhões, a integração com o Programa Navegue Simples vai gerar apenas dados velozes sobre processos lentos. A diretoria da ABTP reconheceu durante o evento que o nível de maturidade digital varia drasticamente entre os seus associados.

Investimento pesado e a curva de aprendizado

A assinatura deste protocolo em Brasília formaliza uma demanda antiga da logística nacional. Historicamente, o país perdeu bilhões de reais em demurrage devido a carimbos e papéis retidos em gavetas físicas. Observar o governo e a iniciativa privada sentando à mesma mesa para unificar sistemas mostra que, mesmo com nosso histórico de falhas agudas no planejamento de infraestrutura, o Brasil consegue evoluir e corrigir a rota das suas operações de comércio exterior.

O teste real desse protocolo começa agora nas mesas técnicas e nos laboratórios de desenvolvimento. A meta estipulada pelo governo federal é destinar parte substancial dos R$ 17,2 bilhões previstos para o setor até o fim do ano exclusivamente para a adequação dessa infraestrutura tecnológica nos 15 blocos de portos que serão leiloados.