A Autoridade Portuária de Santos (APS) confirmou em 24 de abril de 2026 que o complexo portuário paulista movimentou 42,8 milhões de toneladas de cargas no primeiro trimestre do ano. O mês de março contribuiu com 16,9 milhões de toneladas, estabelecendo um recorde mensal e cravando a segunda melhor marca mensal da história do cais santista. O volume trimestral já ultrapassa toda a movimentação registrada no ano de 1999, que foi de 42,7 milhões, e atesta a aceleração da demanda pelo escoamento de contêineres e granéis no país.

Expansão Concentrada em Contêineres e Granéis Líquidos

Os dados divulgados pela APS mostram que o crescimento ocorreu de forma distribuída entre os tipos de carga. O setor de granéis líquidos saltou 11,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, totalizando 5 milhões de toneladas. Apenas em março, o volume de gasolina subiu 26,3%, o óleo combustível avançou 38,4%, e a dupla formada por diesel e gasóleo teve alta de 22%. Esses números quantificam a dependência nacional da infraestrutura santista para garantir o abastecimento energético interno.

No segmento de contêineres, os terminais processaram 1,4 milhão de TEUs nos primeiros três meses, um aumento de 3,6%. Março sozinho respondeu por 485 mil TEUs. Os granéis sólidos também cresceram 5,2%, somando 20,5 milhões de toneladas, com o açúcar e o farelo de soja puxando a fila das exportações. A competição pelo escoamento do agronegócio brasileiro exige que as operações mantenham a cadência logística frente à pressão das safras que chegam da malha ferroviária e rodoviária.

Pressão Estrutural e o Apetite Chinês

O que chama atenção na análise desse trimestre é o comparativo histórico de desempenho. Movimentar em três meses o que levava um ano inteiro no fim do século 20 cobra uma conta alta na infraestrutura física. O presidente da APS, Anderson Pomini, reconheceu na apresentação do balanço que os números exigem investimentos urgentes para manter a agilidade operacional. Os berços de atracação operam com margens estreitas de ociosidade, e a logística de acesso terrestre beira a saturação nos picos de recebimento da produção agrícola.

A China se mantém como a principal parceira comercial da estrutura instalada na Baixada Santista, com US$ 12,98 bilhões transacionados no período. Essa concentração asiática garante volume de exportação, mas exige o recebimento de navios maiores com necessidade de calado mais fundo. O crescimento recorde acentua desafios físicos e de mão de obra que a iniciativa privada e as agências reguladoras ainda não resolveram na mesma velocidade em que o Brasil produz.

A Trajetória de um País que Cresce

Fechar março de 2026 com 16,9 milhões de toneladas prova a capacidade de resiliência dos operadores portuários instalados em Santos. O volume acumulado documenta uma engenharia logística que funciona no limite de sua capacidade instalada diária, processando os combustíveis, alimentos e manufaturados que sustentam a balança comercial nacional e evitam rupturas no abastecimento.

O Brasil expande suas exportações e encontra soluções operacionais para escoar sua produção, mesmo enfrentando gargalos centenários de acesso e morosidade nas aprovações de dragagem. O balanço do primeiro trimestre comprova que a matriz produtiva nacional evolui e avança a despeito das falhas antigas de planejamento estatal. O mercado de comércio exterior demonstra vigor a cada balanço, restando ao poder público viabilizar as expansões de infraestrutura que as frotas marítimas de nova geração demandam hoje.