O Porto do Itaqui fechou o ano de 2025 com a marca de 36.840.941 toneladas movimentadas no Maranhão, superando o recorde histórico estabelecido em 2023. O desempenho operacional, que registrou 1.007 atracações ao longo do ano, consolida o terminal como a principal artéria logística do Arco Norte para o escoamento da safra agrícola brasileira e importação de insumos. O volume alcançado comprova a eficácia das recentes otimizações de pátio e das operações simultâneas entre navios.

Eficiência operacional e a escalada dos grãos

A soja liderou as exportações com 16.035.844 toneladas movimentadas no ano, um salto de 17% em relação a 2024, o que representa uma adição de 2,35 milhões de toneladas nas balanças do terminal. O mês de agosto concentrou o pico de atividade do porto, com 3.859.290 toneladas expedidas, enquanto novembro marcou o recorde isolado para a leguminosa em um único mês, com 578.178 toneladas, superando uma marca que durava desde 2018. A expansão contínua das instalações garante a competitividade da região do Matopiba no mercado global.

Além da soja, o porto diversificou seu portfólio de recordes. A movimentação de fertilizantes cresceu 14%, totalizando 4,14 milhões de toneladas apenas em novembro. Outros granéis e mercadorias também apresentaram alta substancial frente a 2024: o carvão subiu 61%, o ferro gusa registrou aumento de 27% e a celulose cresceu 3%. A carga geral convencional saltou de 1,3 mil para quase 12 mil toneladas, uma variação de 778% que atesta a adaptabilidade da retroárea.

Estratégias de atracação e engenharia logística

Os números absolutos encontram amparo na engenharia de tráfego implementada para mitigar gargalos marítimos. Os berços 100, 103 e 105 atuaram como o centro da operação, responsáveis por escoar mais de 21 milhões de toneladas. Apenas o berço 100 operou 7.206.064 toneladas. Esse nível de ocupação impõe uma sincronia exata entre os terminais privados e a autoridade portuária para encurtar a espera dos comandantes na barra.

A solução técnica aplicada para aumentar a produtividade sem a imediata construção de novos píeres veio da operação Ship to Ship, o transbordo direto entre navios. Nos berços 106 e 108, a autoridade movimentou 2.576.848 toneladas com 59 embarcações atracadas a contrabordo. Essa manobra economizou mais de 90 dias de ocupação de cais, confirmando que a gestão matemática do espaço físico entrega resultados logísticos equivalentes aos de obras de dragagem.

O setor privado ancorou esse desempenho. Quatro empresas operadoras processaram mais de 13 milhões de toneladas do total movimentado no Itaqui em 2025. A CLI liderou as planilhas com 3,8 milhões de toneladas, seguida pela ALZ com 3,5 milhões, a Bunge com 3,4 milhões e a TCN, que contabilizou 2,8 milhões de toneladas. A atuação coordenada das companhias afina a transição da carga do modal ferroviário diretamente para o porão dos navios graneleiros.

Impacto logístico e projeções para 2026

A consolidação das operações no Arco Norte altera as rotas do comércio exterior brasileiro. O direcionamento das safras do Matopiba e do Centro-Oeste para o Itaqui reduz o peso do frete rodoviário e alivia o estrangulamento dos terminais do Sul e Sudeste. A eficiência obtida na margem do cais exige contrapartidas na manutenção das malhas ferroviárias interioranas, evitando que a mercadoria atrase a centenas de quilômetros do litoral.

O patamar de 36,8 milhões de toneladas ratifica que o planejamento executado no Maranhão estabeleceu um novo piso de produtividade logística. O balanço entre a exportação de grãos e a importação de fertilizantes estabelece uma via de mão dupla para o agronegócio, na qual os navios que carregam a soja descarregam os insumos da próxima safra, diluindo o custo total das operações de transporte naval.

A infraestrutura rodoviária e ferroviária brasileira acumula falhas históricas que encarecem a produção, mas o salto operacional documentado no Itaqui aponta uma rota de evolução incontestável. A capacidade de quebrar recordes sucessivos através de tecnologia de atracação e coordenação entre poder público e iniciativa privada mostra que o país sabe executar planos de alta complexidade técnica. As projeções operacionais para 2026 indicam a continuidade desse crescimento, provando que as deficiências do passado estão sendo superadas por gestões portuárias de classe mundial.